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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O Direito como mercadoria abstrata











 
...o nosso destino imutável, nas ciências jurídicas,
 é ficarmos com o pouco, sempre atrás de outros povos,
 copiando e elogiando, ad aeternum....
 
 
 
                                     
 
 
...vivenciamos a indústria do documento...
                                        
 
                                               Em prolegômenos esclarecemos que temos a perfeita ciência que abstrato e mercadoria têm uma contradição, talvez aparente, talvez nem tenha neste caos de ideias que é o mundo.

...o Direito tem um valor abstrato incalculável...
                                                Dito isso, podemos supor que o Direito tem  um valor abstrato incalculável e, em razão de ser algo que não sentimos em nossas mãos, temos grande  dificuldade da sua percepção como um imenso tesouro abstrato à disposição de uma sociedade. O ser humano, na maioria das vezes, é treinado apenas para valorar o que vê, sente, ouve e ingere e por isso é incapaz de lutar pelo abstrato como luta pelo dinheiro uma vez que ele pode ser traduzido rapidamente por bens materiais.
 
                                                Com o advento da revolução industrial e a abundância de bens, produzir bens materiais não tem sido uma das melhores alternativas para se enriquecer e como as ideias antecedem aos bens aquelas, por incrível que pareça, são mais poderosas. Einstein, exemplificativamente, foi mais um cientista teórico que de laboratório ou, primeiramente, concebeu a teoria da relatividade e só depois outros cientistas confirmaram suas ideias.
 
...Se escolhemos viver juntos, em sociedade,  por que não no melhor dos mundos jurídicos possíveis?...
                                       
 
                                             O Direito brasileiro poderia ser uma grande tecnologia de uma determinada nação, um valor agregado a um determinado povo, ser referência cultural importante e copiado por outros povos. Uma das causas deste fato é o complexo de inferioridade do legislador brasileiro. Não custaria muito esta mudança em termos econômicos, mas para isso falta a reflexão e a vontade política. Um exemplo, qual a necessidade tantos documentos? Temos hoje tecnologia que poderia simplesmente eliminar todos. O Estado manteria um poderoso banco de dados à disposição e seus agentes que poderiam consultar estes dados com o simples acesso de uma impressão digital ou outro meio seguro. Qual a nossa realidade? Passamos boa parte de nossas vidas atrás de documentos, gastando rios de dinheiro e sobrecarregando o trânsito. O pior de tudo é que temos uma lei do documento único que nunca foi levada a cabo. Sobre esta lei em breve colocaremos um texto. A realidade mais cruel é que vivenciamos a indústria do documento.
 
...vivenciamos a indústria do documento...
 
 Infelizmente, não temos um Direito de ponta, contentamos com o pouco, somos minimalistas, quando vamos elaborar as nossas leis procuramos fontes externas como de Portugal e dos EUA. Os nossos doutrinadores do Direito ficam nos encômios do que foi copiado e elaborado, elogios que se perderão na noite negra do tempo, uma vez que o produto jurídico não é o que há de melhor na ciência do direito, pois é apenas um reflexo da matriz, geralmente européia, não avançou superando a legislação copiada para servir de exemplos para outros povos, nem é piadético ou um farol educador. O agir correto é escolher o melhor, se se não escolhe o melhor, uma frustração vai ficar no ar.


                               Não se da o devido valor à norma, a regra como fato social revolucionário e paidético. A cereja do bolo deste raciocínio,  um país tem um potencial imenso de ganhar rios de dinheiro só com a mudança de seu Direito estruturalmente.
...uma lei do documento único que nunca foi levada a cabo... 


                   No desenvolvimento de um país o Direito influi visceralmente e é inadmissível denúncias de organismos internacionais mostrando violações básicas de direito por falta de normas ou por falta de efetividade das editadas.
 
 
Se escolhemos viver juntos por que não, por que sim, no melhor dos mundos jurídicos possíveis?
 
O futuro está no abstrato, no invisível e o Direito, como ciência poderia prestar valoroso serviço à sociedade e como qualquer ideia abstrata  o tesouro escondido dentro dele é infinitamente mal explorado. O nosso congresso, na verdade tem pouco preparo na elaboração de normas sociais de ponta. O nosso processo legislativo ou o procedimento de criação de leis, com algumas mudanças, é o mesmo de alguns seculos atrás. Nunca se esqueçam que a barreira abstrata é quase impossível de ser transposta, só aparentemente, ela é fácil de ser trespassada. Os interesses pequenos estão camuflados na lerdeza lei.


                  Quando eles nos dão uma lei melhorzinha cacarejam tal qual as galinhas depois de um ovo bem sucedido e esta migalha jurídica é festejada aos quatro ventos pelos incautos. Um povo tem o Direito líquido e certo de um Direito de ponta, com cheiro de carro novo ou sempre moderno.
 
 
                   Não temos tecnologia, temos mercadorias, e, com certeza, nunca teremos um Direito de ponta neste país. Outro exemplo, recentemente o STF foi obrigado a legislar e reconhecer o direito dos homossexuais, uma vergonha para o Congresso Nacional tomado por bancadas de tudo quanto é espécie, neste caso as religiosas não deixavam, sem embargo de sermos  um país laico. Em razão radicalismo religioso do Brasil é que muitas pessoas fazem a seguinte pergunta: Será que as religiões são uma fonte de atraso em um país? Não temos a resposta para esta indagação complexa, ainda bem.  O correto não é o STF legislar e sim o Congresso. Como não temos um Congresso Nacional à altura, o STF ocupou o espaço e ganhou o apreço da maioria dos cidadãos, mormente entre a elite intelectual. O STF neste episódio marcou um gol de placa, calando a boca dos conservadores e radicais religiosos. Neste caso específico, a nossa imprensa e outras instituições não questionaram a omissão do Congresso por não ter vislumbrado que na verdade o STF agiu como se o Congresso Nacional fosse. O nosso Congresso não teve nehuma crise de ciúmes, aliás parece ter gostado.


                                                         Pensem, se um juiz algumas décadas atrás reconhecesse este direito, simplesmente, seria expulso da magistratura. Como foi o Supremo todos também se calaram, em um silêncio tumular, em termos de crítica. Só encômios, as críticas rolam na surdina e não encontram eco.  Sobre este assunto em breve publicaremos o texto Supremo Tribunal Federal Cor de Rosa.
 
 
                          Direito como repressão. O legislador brasileiro na maioria das vezes só pensa o Direito como repressão ou punição, um ledo engano. O Direito pode elevar um país às alturas no sentido  de contemplar a verdadeira justiça e isso é que podemos chamar de verdadeiramente um Bem.


                          Paidéia é o mesmo que educação em grego. Se explorássemos a paidéia, a educação, teríamos, por exemplo, uma aula educadora, antes de uma multa de plano, salvo os reincidentes. Só que a indústria das multas no país avançou como nunca antes visto. Qual o principal ganho que o Direito pode trazer entre outros? Educar cidadãos, a educação de um povo, até pela lei, é um ganho excepcional, essencialmente, abstrata. Uma ação paidética.
 
                         De qualquer maneira, individualmente,  é necessário cavarmos o abstrato, perambularmos pela corda bamba das ideias, sem termos medo da reflexão, pois nesta ação reflexiva podemos haver os melhores tesouros. Se todo mundo pensar da mesma forma, as coisas  não evoluirão em termos jurídicos.


                         O abstrato combina com o Direito e o Direito é o abstrato, e este abstrato  se acha escondido nas trevas da violência uma vez que o homem quer ser sempre o impiedoso lobo do homem. Isto esclarece em parte o motivo de não evoluirmos socialmente como deveríamos, reparem na disparidade entre evolução ou mudança tecnológica e social. 

                          Quanto ao nosso Direito, se os homens se entendessem e contemplassem o verdadeiro BEM como Platão, 427-347 a.C., nos ensinou, seria uma das melhores minas abstratas. Infelizmente, o nosso destino imutável, nas ciências jurídicas, é ficarmos com o pouco, com o minimalismo jurídico, sempre atrás de outros povos, copiando e elogiando, ad aeternum.

domingo, 2 de setembro de 2012

Pujança e miséria do ativo TAEE11










...estreou na bolsa em R$ 27/8/2012, o preço precificado foi de R$ 65,00...

                                                       A empresa. Taesa ou Transmissora Aliança de Energia Elétrica, negociada pelo código TAEE11, antiga Terna Participações, lida com 13 concessões cedidas pela agência reguladora Aneel por um período de 30 anos e 6.250 linhas de transmissão, 47 subestações e um centro de controle.

                                                     
  
                                                        O início.  A oferta das units da Taesa teve 45,25% de participação brasileira, conforme alardeado em anúncio de encerramento em 25 de agosto de 2012. A empresa realizou uma emissão de ações e amealhou R$ 1,755 bilhão. A participação brasileira foi de  R$ 794 milhões. Os estrangeiros ficaram com  54,75%, no valor de R$ 960 milhões fora do Brasil. O total de  units foi de 27 milhões. Os investidores institucionais foram os principais responsáveis pelas compras das ações, com 96,15% de participação no volume. Nesta oferta os papeis saíram por R$ 65,00. As units estrearam na bolsa na data de 27/agosto de 2012.


                                                                        A Vinci Equities. É uma grande gestora de recursos. Possui 7,29% da Taesa ou cerca de 7,8 milhões de ações preferenciais. É importante saber disso uma vez que se a gestora vender suas units ou parte ou mesmo aumentar a participação, tudo refletirá no preço. É um dado que deve ser acompanhado diuturnamente.


                                                        Vantagem. A sua  receitas é de R$ 1,8 bilhão ao ano e suas concessões só começam a expirar em 2030, destarte, a empresa está imune por uma longa data aos suplícios das revisões de taxas e de concessões. Um dividendo de 8,5% do preço de suas ações por vinte anos, ou seja, superior a poupança. Em épocas de crise a sabedoria e se conformar em ganhar menos com mais. A expectativa é que  distribuam aproximadamente 88% dos lucros aos acionistas nos anos de 2012 e 2013 e aumente o percentual para 95% a partir de 2014.  Um novo fantasma surgiu no setor elétrico no final de agosto de 2012 e este phantom é conhecido por  MP 577 que regulamentou a intervenção do governo em concessionárias de serviços públicos de energia elétrica em dificuldades financeiras. A medida não traz nada de alarmante, mas o mercado não gostou, por enquanto, e ele mercado é um deus, e pronto, não adianta rodar a baiana. Só que este ativo, ao contrário dos demais, só em 2030, como foi dito acima, passará por este suplício de taxas e renovações. Por outro lado, esta medida provisória pode ser apenas a primeira de outras com a intenção do governo recente em baratear a energia elétrica. Pode sobrar para o nosso ativo. É o maior risco visível em um horizonte próximo.

...o problema das baratas, as nossas conhecidas do paleolítico, é que elas colocam gosto ruim em tudo e não comem quase nada...
                                                   
                                                          Indice de Energia Elétrica. IEE é o índice que reúne os papéis do setor elétrico na Bovespa, ele deve ser acomnpanhado sempre com atenção quando se está em um ativo do setor elétrico. Na data de 31/8/2012 ele caiu 4,24¨%, maior baixa diária em mais de um ano, fechando em 32.806, reflexo da medida provisória n° 577/2012. Agora, nunca se esqueçam que este índice na passagem de 2002 para 2003 girava em torno de 3.000, a subida foi espetacular em um período de dez anos. Será que os ativos realmente estão a altura desta subida espetacular do índice IEE ou não estão e farão uma correção? Fica a pergunta.

... a regra do menos com mais...

                                                              Acompanhamento. Compramos o ativo na data de 2 de agosto de 2012 pelo valor de R$ 70,00 tendo como razões suficientes os fundamentos da empresa, a expectativa de dividendos e, ainda, apesar do governo, ser um ativo defensivo. A expectativa são os dividendos e valorização igual a da inflação ou quiça uma boa valorização, em menor escala das expectativas. O nosso projeto é minimalista, o motivo,  levamos em conta dias bicudos pela frente. Em épocas nebulosas, nefastas e nefandas,  a regra que valerá é menos com mais. Há indicações à farta e à sacidade na nossa rede. Veremos.
       

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Pujança e miséria dos ativos PETR3 e PETR4 ou Petrobras

... lobrigaremos que a política é totalmente
 incompatível com a Petrobras...



polis, civitas=cidade

                                                              Interferência política, um mal despiciendo. Empresa não combina com interferência política. A palavra política indica disputa pelo poder. Se há disputa, há necessidade de um palco e a polis ou civitas é este palco, duas palavras para cidade, a primeira em grego e a segunda em latim. Então, política e cidade estão entrelaçadas e esta última é o ninho da sociedade. Em inglês a expressão I can, eu posso, tem uma conotação muito forte, um sentimento do mundo como poder A própria vida é uma espécie de poder ou nossa insignificância biológica se torna grande pela vontade de poder ou vaidade ou, ainda, pela vontade de potência tanto difundida pelo pensador Nietzsche (1844-1900, autor do impagável clássico Assim falou Zaratustra. Na cidade um homem convive com o outro, onde, outrossim, um devora o outro como lobo se fosse, isto de Thomas Hobbes (1588-1679, autor da obra fundamental Leviatã de 1651) adotando a doutrina. Não tenha escrúpulos em adotar a teoria de Hobbes, em aceitar o devoramento, por pudores românticos e cristãos, uma vez que é o que acontece na prática e convivemos com isto nos investimentos. Só que o devoramento moderno não deixa rastros de sangue, ele é civilizado, ocorre na polis, e um exemplo claro é uns ficarem com bem mais riqueza ou poder político e outros com pouco ou nada. A mentira é a arma dos novos lobos das estepes da cidade. Outrossim, a violência tosca e escancarada não combina com democracia mas a violência permanece velada e com ares de sutilidade. Na luta pelo poder uma parcela do povo trabalha em conjunto com os lobos, na disputa com outros lobos, todos muito ferozes na busca do poder, tudo assessorado pela mentira. Ao povo, nesta disputa, interessa pequenos mimos como uma cirurgia, uma pequena quantia em dinheiro vinda em hora não esperada, algo como um lenitivo em uma vida de sofrimentos. O povo, em relação as patranhas e manhas políticas, chega a rir de uma mentira bem contada por algum detentor do poder político. Assim, na polis,  o povo não é apenas uma multidão de coitadinhos, já que ninguém é mais colocado em calabouços para serem torturados por despótas inomináveis. Como os políticos não vão pagar a conta desta algazarra, desta demagogia, uma vez que o povo é uma multidão interminável o que é inviável economicamente falando, transfere-a para os incautos contribuintes e para as empresas, exemplificativamentre, vendendo combustíveis abaixo do preço de custo. Ninguém pensaria em tabelar o preço da banana pois este produto é abundante, ora, se há falta de um produto a produção tem de ser aumentada ou o produto substituído, o único caminho seguro para produtos baratos e de boa qualidade. Nada de tabelamentos, no máximo um controle. Se nós entendermos um pouco de política na prática da maneira já exposta, lobrigaremos, sem delongas, que esta filosofia de poder é totalmente incompatível com uma empresa, pois o jogo político é pesado. Estou sendo prolixo em razão de muitos não darem o devido valor ao chamado fator político em uma empresa e subestimar a sua força devastadora. O fator político pode ser nefasto e nefando à uma empresa ao ponto de destruí-la.  Os sócios de uma empresa não querem este poder bruto, explícito, a empresa quer crescer e gerar lucros, só pode ser esta vontade econômica, o primeiro objetivo de uma empresa.Não resta dúvida que a empresa também quer o poder, mas não o poder explícito disputado na polis, pois lucro, crescimento, dinheiro também é uma forma de poder. A mentira não deve caber no balanço de uma empresa, outro detalhe de que política e empresa não funciona, se pudesse haver a empresa com a mentira, cairia por terra toda análise fundamentalista. Em toda crise é fácil para qualquer governo jogar a culpa nas empresas ou usá-las para resolver problemas que são estruturais ou que estão no próprio Estado como um leviatã. Se nós entendermos um pouco de política na prática da maneira já exposta, lobrigaremos, sem delongas, que esta filosofia de poder é totalmente incompatível com uma empresa pois o jogo político é pesado, lobrigaremos que a política é totalmente incompatível com a Petrobras. Daí o fator político apavorando os investidores e arrastando o preço dos ativos para baixo. Por outro lado, o país só aperfeiçoará a sua democracia com o fim da administração política da Petrobras ou a sua urgente e necessária privatização. O povo e os investidores não podem ficar eternamente deitados em berço esplêndido com a boca aberta cuidando ser normal a política tomar conta de uma Petrobras. Epilogando, temos a interferência política como um mal alojado nas entranhas dos ativos PETR3 e PETR4, fato que deve merecer uma melhor acuidade de todo investidor. Recentemente, Wall Street Journal escancarou um artigo sobre a Petrobras em que afirmou que na Petrobras o lucro é socializado, os prejuízos privados, ao contrário do que ocorreu nos Estados Unidos onde os lucros dos bancos foram privados e as perdas recentes socializadas. Nem tudo é desgraça, pelo menos um alento, gasolina barata.

...leviatã=demônio bíblico...
id est em latim=isto é
                                                             Por quê a produção da empresa continua emperrada em 2012? A produção de petróleo está quase no mesmo nível há três anos e desde o ano de 2003 não consegue levar a cabo as suas metas de extração de petróleo e gás. Em prolegômenos, o nosso leitor tem que saber de uma premissa básica da Petrobras, id est, o ninho petrolífero da empresa é a Bacia de Campos, o qual por sinal é o principal do Brasil. Esta bacia é, visceralmente, importante para a empresa e para o Brasil uma vez que é responsável por 85% do nosso petróleo extraído. A dimensão desta área se estende por cerca de 100 mil quilômetros quadrados, do litoral sul do Espírito Santo ao norte do Estado do Rio. Logicamente que se esta premissa, ou a Bacia de Campos, entra em decadência a empresa sofre abalos econômicos e é o que está acontecendo. A origem do problema está na queda de eficiência operacional da Bacia de Campos, a principal do País, responsável pela produção de até 85%. 85% é quase 100%, então, o olhar do investidor tem que estar grudado neste sítio petrolífero, tudo como se fosse uma premissa sonante na memória randômica.  O nível de eficiência na bacia caiu de 90% para 70% em três anos, de acordo com a própria Petrobras. Tanto é que  um plano emergencial na tentativa de recuperar os níveis perdidos foi criado neste ano de 2012, este plano foi chamado de Programa de Eficiência Operacional para o qual já estão destinadas despesas de US$ 5,6 bilhões.  Exemplificativamente, sobre queda de produção, o Campo de Marlim, passou a produzir uma quantidade maior de água. É normal, na produção de petróleo, serem extraídos água, óleo e gás, contudo, o adequado é uma proporção menor de água. Os técnicos da Petrobras estão avaliando o que está ocorrendo em Campos uma vez que a produção estacionou em 2009, extraiu 1,69 milhão de barris diários, em 2010 produziu 1,54 milhão. O recorde de 2009 permanece. Assim, sem aumento de produção não há aumento do valor do ativo, só que os custos de produção sempre aumentam. Será que o petróleo na Bacia de Campos está acabando, ou ainda resta um repique com o plano emergencial? O  adjetivo emergencial é sintomático... ?  No segundo trimestre foi divulgado que a empresa abandonou 41 poços perfurados entre 2009 e 2012.
  ...Aquilo que não me destrói fortalece-me...Nietzsche                                                          



                                                                       Previsão de investimento até 2016 e diluição do capital. O  programa de investimentos da Petrobras, que prevê o dispêndio de US$ 236,5 bilhões até 2016. A quantia é uma bolada, por sinal, tirar o petróleo do pré-sal não será fácil. Será que a empresa, logicamente, não agora, mas daqui a alguns anos, não será obrigada a emitir mais ações provocando novas quedas dos ativos, como ocorreu em 2010 quando os ativos foram fixados em torno de R$ 25,00? Alguns meses antes podiam ser vendidos por mais de R$ 35,00, fica esta pergunta no ar.

                                                             .

...Bacia de Campos, uma premissa da Petrobras...

                                                            Duelo verbal entre o ex-presidente Sérgio Gabrielli X Graça Foster. Este tópico é um exemplo da nocividade da interferência política na empresa e, indicativo de várias afrontas ao artigo 37 da Constituição Brasileira onde se diz que a administração pública se pautará pela legalidade, moralidade, impessoalidade e outros princípios. Após Graça Foster assumir a presidência da empresa em 2012 surgiram controvérsias entre ela e o seu antecessor. Estes fatos, aparentemente uma sensaboria, na verdade é sintomático, indicativo de algo. Um acusando o outro, ambos do mesmo partido político. Destarte, este lado político, o viés político sempre ronda o ativo como se fosse um fantasma medonho assustando os cautelosos. Graça criticou as metas irreais da Petrobras e reduziu de 3,1 milhões para 2,6 milhões a estimativa de produção de barris/dia em 2016, além de ter cancelado projetos de várias refinarias. Nesta briga sobra para Colin Foster, marido de Graça, o qual é consultor na área de energia e já entabulou mais de 40 contratos com a estatal.  Ainda, nesta guerra de foices no escuro, circula na internet um dossiê apócrifo noticiando que Gabrielli teria uma parceria informal com Eike, dono da OGX.

...guerra de foices no escuro...
                                                              Coloque na conta do Abreu. A empresa é um exemplo da dilapidação do patrimônio público. A administração foi loteada para atender interesses políticos. Permanece inexplicado o aumento dos custos de construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, cujo orçamento passou de US$ 2,3 bilhões, em 2005, para US$ 20,1 bilhões, em 2012.

                                                             Segundo Trimestre de 2012. O segundo trimestre de 2012 foi na verdade um banho de água fria nos ativos PETR3 e PETR4 pois o prejuízo foi a bolada de R$ 1,346 milhões de reais. Muitos esperavam lucro em torno de 7 bilhões e outros até mais, por aí vejam a discrepância dos resultados com a dos analistas. Neste trimestre eles erraram feio. Fazendo uma comparação com o segundo trimestre de 2011 o lucro líquido foi de 10,943 bilhões de reais. É a primeira vez que a estatal apresenta resultado negativo em 13 anos, o último foi no primeiro trimestre de 1999 quando registrou prejuízo de R$ 1,539 bilhão de reais. Este prejuízo de 1999 foi consequência da forte desvalorização cambial de 42,8% no trimestre. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi obrigado na época a abandonar a nossa famosíssima âncora cambial. Quem entende um pouquinho de economia já sabe que âncora cambial não funciona por muito tempo ou funciona um tempo suficiente para se ganhar uma eleição. Ora, tomem tento, agora no começo do ano de 2012, veio nova desvalorização cambial e novo prejuízo. Assim, o prejuízo pode não se repetir e ser pontual. Agora, quando houve desvalorização cambial, fato tratado com pouca importância, nenhum analista se lembrou deste detalhe e de um eventual prejuízo, falavam que a desvalorização era neutra para a empresa. Vimos, por duas vezes que não é. Fica a lição. Uma desvalorização cambial significa que somos mais pobres em relação às outras moedas na mesma proporção da desvalorização, até os ativos ficam mais baratos, por isso, eles nem caem, uma vez que já caíram em relação ao dólar como moeda de referência e os investidores estrangeiros passam a comprar estes ativos com menos dólar. Ou seja, o investidor estrangeiro ganha, quem está preso e cumprindo pena no Brasil, perde. Desvalorização cambial também traz misérias.


                                                           Preços demagógicos da gasolina e do diesel. A defasagem dos preços da gasolina e do óleo diesel alcançaram valores de 15% e 17%, respectivasmente, este fato também explica o resultado ruim do primeiro trimestre de 2012. Foi por isso que o consumo de gasolina subiu 17% em 2011, e, nos primeiros seis meses de 2012, já é de 7%. Como as refinarias não têm mais capacidade para novos aumentos de produção, a empresa tem de importar mais gasolina do que em 2011 e vender mais barato internamente. O uso do álcool, outrora fundamental, perde espaço com esta política de preços e fé no pré-sal brasileiro.

                                                                    Lucro nos quatro trimestres de 2011 e no primeiro de 2012. Foram, respectivamente, de R$ 11,00, R$ 10,9, R$ 6,3, R$ 5,1 e R$ 9,2, todos em bilhões de reais. Assim, esta base comparativa com o segundo trimestre, em um primeiro momento é assustadora mas pode ser pontual. Na data de 6 de Agosto de 2012 os ativos após apresentarem quedas de mais de 5% acabaram fechando o dia com leves altas. Não houve nenhuma queda avassaladora como muitos chegaram até a prever. O mercado ainda tem fé na empresa, o que deduzimos. Outros trimestres devem ser apresentados para uma melhor visão do futuro da empresa.


                                                                    Em 12/12/2012 um fundo que acredita na Petrobras.
A Petrobras informou nesta data que a gestora Aberdeen Asset Management atingiu em 3 de dezembro/2012, participação acionária de 5,01% em suas ações preferenciais. A participação corresponde a 14.923.670 ações preferenciais e 132.936.369 ADRs (American Depositary Receipts), que correspondem a 265.872.538 papéis preferenciais. É uma boa notícia, o risco é se a gestora desistir do ativo e despejar estes cinco por cento no mercado.


sábado, 28 de julho de 2012

Ética Histórica Restauradora


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                                                        Ética Histórica Restauradora


 

                                  Imagino que toda a aventura histórica vilaboense, da Cidade de Goiás, antiga capital do Estado do mesmo nome, resplandeceu com os auspícios da sólida Serra Dourada a qual com o seu brilho áureo no horizonte como se fosse uma barra imensa de ouro, como se fosse um imã poderoso, começou a atrair para os seus domínios homens corajosos em busca de riquezas.  



                                  Era o maciço da Serra Dourada fazendo mágicas no horizonte. Até que a  mágica deu certo e a história conta que na data de 3 de julho de 1722 a Bandeira de Bartolomeu Bueno partiu de São Paulo. Não foi uma jornada fácil e nem romântica, como muitos pensam. A morte retumbante estava sempre à espreita dizimando corpos ávidos por ouro. Muitos morreram de fome, doenças e por outros percalços para poucos chegarem bem perto daqui, nas cabeceiras plácidas do Rio Vermelho.



                                  Não é bom esquecermos nunca que os que sobreviveram tiveram que comer macacos, cavalos e, como não poderia deixar de ser em todas as crises humanas, sobrou, como sempre, para os desvalidos cachorros este desespero famélico. Quem nos contou estas desditas foi o Alferes Braga que acabou desistindo e desertando da difícil e perigosa Bandeira de Bartolomeu.



                                  Bartolomeu Bueno da Silva, homem cego de um olho, talvez por isso levasse o apelido de Anhanguera que significa Diabo Velho na língua indígena; era um sertanista experiente e obstinado, estava disposto a morrer se a volta fosse com o fracasso nas costas.



                                                         O nosso herói que não temia a própria morte sobreviveu. Logo que chegou aqui criou um acampamento que passou a se chamar Arraial de Santana para extrair o ouro encontrado. O sonho dourado ficou sólido, a adrenalina arrefeceu.  Do arraial surgiu a mais bela cidade da terra, ou seja, Vila Boa no ano de 1736. Nesta época já prestavam serviços aqui mais de 10.000 escravos.



                                  Por ordem real todos os braços disponíveis naquela época deveriam ser empregados na extração do ouro, isto explica o pouco desenvolvimento da lavoura e da pecuária no início do povoamento, tudo era um sonho dourado.



                                  Em 1749 chegou a Vila Boa o primeiro Governador e Capitão General, Dom Marcos de Noronha, o Conde dos Arcos, e o território goiano passou a denominar-se Capitania de Goiás.



                                  Por duzentos anos Vila Boa resplandeceu como a capital do território goiano. É interessante caracterizarmos que Vila Boa foi o primeiro núcleo urbano a oeste da Linha de Tordesilhas. Concluímos então que a cidade de Goiás iniciou a expansão para o oeste em terras espanholas. Na época o oeste da Linha de Tordesilhas pertencia a Espanha e o leste a Portugal. Destarte, a Cidade de Goiás foi fundamental para a ocupação do chamado Brasil Central.



                                  Em 1937 ocorreu outro grande fato histórico, a mudança definitiva da capital para Goiânia. Em 15 de novembro de 2001 a nossa urbe foi reconhecida como Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade. Só que a cidade Bartolomeu Bueno não tem tido muita sorte e na data de 31 de dezembro de 2001 veio a grande enchente danificando cerca de 80 imóveis. Todos ficaram perplexos com o caiporismo vilaboense.



                                  Este resumo histórico é interessante para fazermos uma outra reflexão, uma ponderação importante, ou seja, sobre a chamada ética histórica restauradora. O que é isso? Significa que um determinado povo ou cidade, vítima de uma grande injustiça histórica merece por lei ou uma ação uma reparação pontual. Essa Lei inicialmente deveria ser estadual e depois trabalhada a nível constitucional.  Ética é um ramo da filosofia que estuda o correto agir, em palavras simples. A tese se aplica como uma luva na Cidade de Goiás, a grande injustiçada que está eternamente deitada no nosso berço esplêndido sem nenhum grito retumbante. Falta a clava forte, a consciência histórica reparadora.



                                 Como vimos, Vila Boa é filha da luta da vida contra a morte, da carne de cachorro servida em desespero famélico, do trabalho escravo, da auri sacra fames, isto é, da sagrada fome de ouro; muita riqueza foi levada e pouco ficou, é a cidade, por excelência, mais injustiçada do Estado de Goiás e, talvez, do Brasil.



                                  Goiânia é capital, com méritos, contudo, por menos de um século, Vila Boa foi por dois. Não foi de bom alvitre a transferência da Cidade sem nenhum planejamento estratégico e sem compensações. Perguntamos: se compartilhamos de algo seminal por duzentos anos, em dado momento histórico podemos dizer simplesmente, não dá mais! A transferência da capital foi alvissareira para Goiânia e traumática para a Cidade de Goiás.



                                   Se despedimos um empregado damos aviso prévio, pagamos indenização e até pedimos desculpa, além de ficarmos constrangidos pelo desemprego que causamos. Não houve aviso prévio para o antigo Arraial de Santana. É uma cidade sem aviso prévio e sem indenização. Foi deixada eternamente ao deus-dará, no berço esplêndido.



                                   Ao lado disso, houve crimes de abandono material e espiritual na transferência, tudo foi levado e transferido com desenvoltura e testemunhado por um céu azul e profundo. Não podemos esquecer que o Rio Vermelho foi roubado e vilipendiado, o primeiro crime histórico perpetrado.



                                  Não se diz o poderoso Não, sem maiores explicações. Já dediquei em uma festa uma música dos Pet Shop Boys à Cidade de Goiás chamada It’s a sin que significa em inglês é um pecado. Deverasmente, a Cidade de Goiás é um pecado, um grande pecado histórico. Muitos continuam extraindo o filão de ouro abstrato da Cidade de Goiás: prestígio com obras baratas, votos e outros benefícios. Depois, se despedem como beija-flores da bela flor do cerrado, com um leve adeusinho, retornando para o conforto de lugares mais desenvolvidos contemplados com grandes obras.



                                  Todos os braços disponíveis, como dizia o rei, deveriam de levantar do berço esplêndido, se unirem para uma causa maior, pelo verdadeiro amor por Vila Boa, pela luta legal para que a cidade seja indenizada com recursos fartos e obras maravilhosas. Todos nós sabemos que merecemos isso uma vez que os serviços históricos prestados foram imensos. O orçamento municipal é ridículo tendo em conta o valor histórico da cidade e os seus problemas. A vocação da cidade é para o turismo. Nem um centro de convenção temos.



                                  Muitos que aqui chegam deveriam de conhecer a periferia da cidade e ver o desespero dos excluídos, sentir a falta de emprego e ouvir o desânimo. Hoje podemos dizer que existem duas cidades, uma histórica, até razoável e outra periférica, em verdadeira decadência econômica. A cidade histórica não pode camuflar a periferia como se estivesse tudo bem.



                                  O meu texto é uma tese, um manifesto, como dissemos, onde ponderamos que a nossa cidade foi injustiçada pelos fatos históricos e deve ser indenizada pelos danos materiais e morais suportados. A cidade, uma das mais antigas do Brasil, sem embargo de ter progredido, ficou com as sobras, com as migalhas da riqueza do Brasil e do Estado de Goiás. Basta olharmos a riqueza de outras cidades como Jataí, a princesinha do sudoeste goiano, onde fui Juiz por quase oito anos.



                                                           Não podemos ficar só com uma venenosa divisão política, disputando cada centímetro do pouco que ficou. Reconheço que o conflito é bem-vindo, contudo, o momento é de união, com o engajamento de todos os braços disponíveis, não só aqui, no palco dos pés da Serra Dourada, mas também com esforços junto ao governo estadual o governo federal. É necessário um esplêndido e retumbante movimento. Sempre acreditei que os políticos são sábios, eles tem a noção que é dividindo que conseguimos somar com facilidade e ficamos verdadeiramente mais fortes, algo como aquele ditado que uma andorinha só não faz verão. União para que? União para recebermos a indenização do Brasil e do Estado de Goiás pelos danos sofridos que são imprescritíveis. Uma característica do pensamento da ética histórica restauradora é a sua imprescritibilidade. A indenização material e moral, com juros e correção monetária, chega pelos meus cálculos iniciais, em bilhões e bilhões de dólares. A destemida OAB deveria de ajuizar a ação. Como Juiz daria a liminar raspando, com desenvoltura, as algibeiras do governo federal e estadual.



                                  Nesta ação indenizatória, a causa petendi, a causa de pedir da ação indenizatória é justa, justíssima. Existe uma dívida histórica com esta cidade que nunca foi paga. Todos os braços disponíveis estão sendo enganados com as sobras, com as migalhas.  



                                          Nesta luta heróica e reparadora que todos deveriam encampar temos duas armas poderosíssimas, dois valores abstratos inestimáveis. Valores abstratos são aquilo que não vemos, mas sabemos que existem e por muitas vezes tem valor até superior ao que vemos e tocamos. O primeiro é a cidade de Bartolomeu Bueno ter sido capital por dois séculos e largada como mulher cheia de filhos pelo marido, o segundo é o reconhecimento como Patrimônio Histórico da Humanidade. São duas armas nucleares. São armas mais poderosas que terras férteis, minérios e queijandos. Estamos na era da valorização do abstrato, os nossos avoengos já tinham esta noção quando afirmavam que a melhor herança é o estudo que deixavam aos filhos.



                                          Como rol de testemunha desta ação indenizatória deveria de ser arroladas as duas testemunhas principais, o Rio Vermelho e a Serra Dourada, além destas, o Palácio Conde dos Arcos, A Casa de Cora, a Praça do Coreto, a Rua da Pedra sempre de prontidão, ou outros monumentos.



                                          Jean Baptiste Debret esteve no Brasil em 1816, como membro da Missão Artística Francesa, e em sua obra Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil, tomo II, pags. 32/33, falou sobre Vila Boa: “O ouro aí era abundante outrora e, nesses tempos felizes, a cidade tinha uma rica administração, bem como uma Casa de Fundição; mas as minas se esgotaram e, com elas, a prosperidade da região, de que resta a lembrança e uma população miserável”. Sem exageros, a miséria ainda persiste.  



                                                                  Epilogando, a minha tese ou o meu manifesto é que a cidade de Bartolomeu Bueno ou o primeiro núcleo urbano a oeste da Linha de Tordesilhas   tem uma dívida dourada para receber, com juros e correção monetária, que beira, nos meus cálculos preliminares, em bilhões e bilhões de dólares e, que, ainda não prescreveu e o fundamento da ação, a clava forte, é a chamada ética histórica reparadora baseada nos serviços históricos prestados, no roubo do Rio Vermelho e na transferência injusta da capital.  Não prescreveu porque as grandes injustiças não prescrevem nunca, como os genocídios não prescrevem. Se a cidade é Patrimônio Histórico da Humanidade a injustiça forte é contra toda a humanidade. Migalhas estaduais não resolvem. Vila Boa continua deitada no berço esplêndida, falta o grito retumbante, a união reparadora. It’s a sin, é um pecado.









                                                          

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O esvaziamento da morte, morrendo em hospitais, 10° capítulo

Esvaziamento da morte






quitação peremptória=morte=mortório ( Dicionário Analógico do Professor Ferreira)


                                                   Morrendo em hospitais. Com o passar dos séculos a nossa quitação peremptória ficou mais triste, mais lúgubre, pois morremos em hospitais, longe da família e dos amigos, entre outros esvaziamentos da morte. Este fato passou a ser corriqueiro no Brasil e em outros países. Qualquer problema de saúde leva à internação e se for grave o paciente vai e não volta para casa, morre no hospital.


                                                   A morte no hospital é parcelada, dividida em diferentes estágios técnicos, uma morte com muita técnica e solidificada com bastante silêncio. Este fenômeno contemporâneo é de certa forma assustador, uma vez que nas piores horas, temos a solidão do hospital e a ausência dos familiares e dos amigos, esvaziando o inevitável fenômeno da morte. Se observarmos bem, até pouco tempo atrás morria-se em casa, rodeado pelos familiares, com extrema unção, e o que era melhor, cercados de crianças. No hospital há uma intolerância com a morte do outro, ou seja, o moribundo é poupado  até da real gravidade de sua enfermidade quando em outros tempos o moribundo era incentivado a saber das suas reais condições físicas para preparar a sua própria morte.

...cacotanasia...
                                                    No mínimo temos de humanizar os hospitais. Por que tantos ares técnicos, formalismo acadêmico, tanto branco, será só o branco da paz e limpeza ou o branco da indiferença ou o mortório dando um branco?


                                                      Cacotanasia é uma morte aflitiva, morte em hospital não passa de uma cacotanasia moderna, nunca antes imaginada.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Pujança e miséria do ativo ROMI3 ou Indústrias Romi





Em 20/10/2010 o ativo gechou  no pujante valor de R$ 15,37.
 Em 29/12/2011 fechou em R$ 6,74 com queda anual de -51,48%.
Na data de 24/7/2012 fechou em R$ 5,10 
                                                                     A empresa. Nasceu no estado de São Paulo mais precisamente no municípíuo de Santa Bárbara D'Oeste, em uma oficina pequena oficina de conserto de automóveis criada em 1930 pelo comendador Américo Emílio Romi. A oficina chamava-se Garagem Santa Bárbara. No ano de 1934 iniciou a produção de máquinas agrícolas e em 1938 mudou a sua razão social para Máquinas Agrícolas Romi Ltda.


                                                                    O primeiro torno. Em 1941 fabrica o primeiro torno mecânico, marca IMOR, modelo TP-5.

                                                                    O trator Toro. O primeiro trator fabricado no Brasil foi o Toro produzido por esta empresa emn 1948.

                                                                     Romi Isettao primeiro automóvel brasileiro. Inicia a produção  do primeiro automóvel brasileiro, o ROMI-ISETTA. O Fusca não é o primeiro carro brasileiro como muitos pensam, uma vez que este começou a ser fabricado no Brasil em 1959 mas em 1956 tivemois o nosso verdadeiro carro nacional, a Romi Isetta, produção que perdurou até 1961, quando foram produizidas cerca de 3.000 unidades. A pequena barata foi lançada em terras nacionais em 1959. O projeto era do engenheiro aeronáutico italiano Ermenegildo Preti com a colaboração de seu amigo Perluigi Raggi criaram o Romi-Isetta atendendo aos novos padrões automotivos que a Guerra exigiu. O veículo foi apresentado em 9 de abril de 1953, pela empresa italiana Iso Automotoveicoli, no Salão de Turim, o projeto foi denominado Isetta. O carro possuía características bastante reduzidas, como um única porta frontal, tanque de combustível para 13 litros e medidas bem pequenas. Fazia  25 km com apenas um litro de gasolina com seu motor de 4 tempos, refrigerado a ar e 1 cilindro levava o carro a uma velocidade máxima de 80Km/h. No Brasil o Romi-Isetta foi lançado em 5 de setembro de 1956. Em 1955 a empresa Iso Automotoveicoli concedeu os direitos de produção do modelo para as Indústrias Romi S.A.                                          

                                                           Clube dos Proprietários de Romi-Isetta. Este clube foi fundado pelo cineasta Anselmo Duarte com a finalidade de organizarem passeios e outras atividades envolvendo este veículo com a cara do Brasil. Na chamada Caravana da Integração Nacional o Presidente Juscelino Kubischeki entrou em Brasília na data de 2 de Junho de 1960 dentro de um veículo Romi-Isetta.

Primeiro veículo brasileiro de 1956
 Entrada na bolsa em 1972. Transforma-se em uma Sociedade Anônima de capital aberto com ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo;
                                                             
                                                                     1974. Inicia a fabricação de Máquinas Injetoras de Plástico

                                                                     1985. Criação da Romi Machine Tools, Ltd., nos EUA, subsidiária integral de Indústrias Romi S.A., para suporte à rede de distribuição dos produtos ROMI no mercado norte-americano.


                                                                      2001. É criada a Romi Europa GmbH, com sede na Alemanha, subsidiária integral de Indústrias Romi S.A., para suporte à rede de distribuição dos produtos ROMI no mercado Europeu;
                                                                

                                                                       80 anos em 2010. Em junho, a Romi completou 80 anos de atividades.

                                                                        Terceiro trimestre de 2011. O seu lucro líquido recuou 65,7% em relação ao mesmo período de 2010, passando de R$ 25,30 milhões para R$ 8,66 milhões.


                                                                       Segundo semestre de 2012. A empresa viu a sua receita líquida reduzir em 38%, comparada com o mesmo período de 2011 ou a receita foi de apenas R$ 107,1 milhões. Sem receitas há menos chances de lucros. O prejuízo foi de 21,8 milhões. A empresa destacou o nível elevado de estoque, ou seja, a empresa sentiu a freada da economia brasileira mundial.
                                                                  Desindustrialização brasileira. É fato notório que o Brasil se transformou em um produtor e exportador de comodities e, por conseguinte, o governo não dá a devida atenção ao parque industrial brasileiro. Com a valorizxação do real a partir de 1994 o fenômeno da desendustrialização se aprofundou e o país praticamente só tem comodities como produto exportador de ponta e pujante. A indústria está no limbo. Se as comodities cairem de preço de uma hora para outra o país terá problemas sérios. Esta realidade afeta a nossa empresa que é uma indústria que fabrica máquinas e ferramentas. É o risco governamental-fisiológico-demagógico do ativo que tem uma história brilhante na indústria brasileira. Se a empresa tivesse sido fundada nos EUA com a história inovadora que tem, hoje, certamente, seria uma das maiores empresas do mundo. Ao lado do risco governamental monstruoso temos a concorrência acirrada da indústria alemã, chinesa, japonesa e de outros países. C'est la vie.

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            sexta-feira, 20 de julho de 2012

            Pujança e miséria do ativo HGTX3 ou Hering

                                                                             

                                                                   A empresa. É uma das maiores empresas do setor de varejo e design de vestuário do Brasil. Atua no varejo com quatro marcas: Hering, Hering Kids, PUC e dzarm. No Brasil, a atuação da companhia é feita a partir de três canais de distribuicao:  lojas próprias e franqueadas;  lojas de varejo multimarcas e;  Webstores. No exterior, a Cia. Hering comercializa suas marcas próprias por meio de 16 franquias e do varejo multimarcas. Em 30 de setembro de 2011, a Empresa contava com 392 lojas
            Hering Store, 76 lojas PUC, 4 lojas Hering Kids e 1 loja dzarm., alem de clientes no varejo multimarcas em todo o Brasil e lojas franqueadas em diversos países da América Latina. Na história da empresa o seu destino começou a mudar no ano de 2005 quando Fábio Hering, herdeiro e diretor da empresa, resolveu transformar a marca Hering em uma grife ou em um produto desejado por consumidores com maior poder aquisitivo. Às deveras, a partir de então o ativo começou a  subir muito. De 1995 a 2005 a empresa tinha encolhido em torno de 50%. Por isso, o histórico da Hering é admirável depois de 2005 ou de uma simpática marca de camiseta passou a ser um player de peso no mundo fashion.                                                       

                                                                    A marca cunhada na mente do consumidor. O ponto forte da empresa é a sua marca.  Todo mundo conhece esta marca no Brasil, ou seja, há uma potencialidade de
            quase 200 milhões de consumidores adquirir algum produto que a Hering produz, isto sem falar nos consumidores de outros países. Por outro lado, o varejo é um setor sangrento em razão da concorrência acirradíssima, no superlativo absoluto sintético e mais um pouco.                    



                                                                     2º trimestre de 2012. A empresa anunciou um lucro líquido de R$ 85,1 milhões, contudo,  o fraco desempenho das receitas, que avançaram apenas 8,9% sobre o ano anterior, para R$ 460,7 milhões decepcionou o mercado e a própria empresa. Esperavam crescimento acima de 10%. Foi este o motivo das quedas constantes do ativo no mês de Julho/2012.

                                                                        Um dos melhores ativos da bolsa dos últimos anos. Não podemos dizer que a festa do ativo HGTX3 acabou mas podemos boquejar que quem investiu no ativo há alguns anos bamburrou. Para termos uma idéia entre os anos de 2002 e 25 era facil comprar o ativo por R$ 0,50 ou menos e depois, em especial, após 2009 o ativo deu uma reagida espetacular, um verdadeiro foguete e chegou recentemente a mais de R$ 46,00, ou seja, um investidor com timing  poderia ganhar até cem vezes por cada real investido, imaginem R$ 10.00,00, na época correta, hoje valendo um milhão, assim é a bolsa de valores que transforma com facilidade um milhão em mil e vice versa. Só que é mais fácil perder um milhão do que ganhá-lo. Toda economia brasileira sente a crise iniciada em 2008 e a Hering começou a sentí-la, se as coisas mudarem uma das primeiras empresas que reagirá às melhoras será esta e, não será esta crise que fará desaparecer uma empresa tão sólida. O problema de comprar o ativo é ele cair ainda muito e o investidor pegar um topo com longos anos de recuperação. O melhor é esperar o desempenho até o final do ano e prever como vai terminar a novela do Euro, a mais emocionante do mundo econômico. Gostamos, ainda,  muito deste ativo.