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sábado, 17 de setembro de 2011

Lilith, a primeira mulher bíblica

John Collier, 1850-1934,
Lilith a primeira mulher bíblica,
os olhos não cansam de apreciar o belo
Lilith, a Deusa da Noite
                                                      A escuridão. No começo havia só escuridão sem um único feixe de luz vagando pelo cosmo, as trevas reinavam no incompreensível do uno, do único. O Um, o sossego da escuridão incomodava e  devorava tudo e Deus vendo que isso não era bom  disse: fiat lux ou faça-se à luz e, logo depois, criou a matéria enfeitando o espaço invisível e vislumbrando na sua sabedoria infinita a beleza do número Dois, o símbolo da divisão, da carência, desceu à Mãe Terra e tomou o barro em suas mãos sagradas como elemento seminal e da argila, como se fosse o pai dos escultores, esculpiu o homem ou Adão e depois a mulher ou Lilith, ambos totalmente iguais, esculturas do mesmo barro. E deus colocou o barro no paraíso e Adão e Lilith viviam felizes, até que Adão procurou confusões com Lilith, um anjo belo, à derramar luxúrias  pelo paraíso. Nas digressões e brincadeiras sexuais, Adão queria se divertir à valer. Não se importava com os desejos de Lilith ou melhor explicando a inglezia, Adão achava em seu machismo que só ele deveria ficar por cima, o que aborrecia a sua esposa que também gostava destas coisas. Para entendermos a essência de Lilith digo que seu nome origina-se do judaico Layil que significa noite; Adão, como palavra, relaciona-se com os judaicos adamá, adomdam que significam, respectivamente, barro vermelho, vermelho e sangue. Já o nome Eva também tem origem no judaico e significa vivente, tanto é que para o grego a tradição sempre traduz para o vocábulo zoé que significa vida. A tradução de tsella para costela teria sido um erro. 

Adão e Eva de Jan Gossaert
 Mabuse, 1478-1533, pintor
renacentista autor do quadro
 Dânae, uma obra prima
imperdível
                Aborrecimento definitivo. Um dia o nosso anjo sensual se aborreceu definitivamente e fugiu para as imediações do Mar Vermelho. Adão ficou triste e se sentiu completamente só, e Deus, preocupado com a sua imagem, mandou três anjos em embaixada reconciliatória para as imediações do Mar Vermelho ou Sanvi, Sansavi e Semangelaf.

As trevas reinavam no incompreensível do uno


                  Experteza Lilithiana ou uma revolucionária no paraíso. Lilith estava irredutível e não quis voltar ao ser arguida pelos três anjos. Alegou como matéria defensiva que tinha contrariado as leis ao andar em outras digressões com outros anjos conhecidos como demônios. Cocem a cabeça levemente, pensem, na verdade Lilith usou a própria lei divina da fidelidade para em seu benefício permanecer em liberdade. Então, a nossa Lilith, é o símbolo da mulher livre e independente, aquela que sabe o que quer. Ou uma revolucionária no paraíso.
A Criação de Adão de Michelangelo,
1475-1564, pintado na Capela Sistina
do Vaticano, uma das obras plástica
 mais linda que os olhos não
 cansam de
ver
Eva, a da costela. E Adão choroso continuou só e novamente o Criador interferiu e, compreendendo Adão, na sua indústria criativa, sacou de uma costela deste Eva, moldada na ideologia da submissão. Assunto resolvido.

...os olhos não cansam de ver...
                                       
                                                        Das provas. Temos que matar a cobra e mosrtrar o pau, às antigas, os ensinamentos indiciários que houve uma outra mulher bíblica está no primeiro capítulo do Gênesis, versículo 27 que esclarece:
A Expulsão do Paraíso de Michelangelo

                                                             
                                                                Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher
                     
                                                               Já no segundo capítulo gênesis, versículo 18, portanto, depois de Deus ter criado a ambos, o criador se manifesta:

                                                               O Senhor Deus disse: Não é bom que o homem esteja só; vou dar-lhe uma ajuda que lhe seja adequada.

                                                                Como isso é possível, se Adão e Lilith já haviam sido criados nos primeiro capítulo? Acontece que os escritos foram alterados, tudo para apagar Lilith da história criacionista. dos sacerdotes formais. Só que eles não perceberam o detalhe que cria um contradictio in terminis.
                                                               
                                                                                                                                                          
                                                                  Só no versículo 22 do capítulo segundo aparece Eva, como sub produto da costela de Adão:

                                                                   E da costela que tinha tomado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher, e levou-a para junto do homem
                                                                 

                                                                   Por qual motivo Adão faria a seguinte declaração já no versículo 23 do segundo capítulo:

                                                                   Disse então o homem: Esta, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada mulher, porque do homem foi tirada. As traduções muitas vezes apresentam as seguintes variações, esta sim ou agora sim, contudo ambas escondem a existência de uma outra mulher. A emenda do soneto não ficou boa, deixou indícios.
                                                              
                                                                     Concílio de Trento. No ano de 325 depois de Cristo realizou-se o Concílio deTrento evento que decidiria quais os livros que seriam adotados pela Igreja. Segundo alguns a escolha foi na forma de colocar em cima de uma mesa todos os livros e os que não caíssem dela, seriam os verdadeiros. Historiadores afirmam que neste concílio além de ser escolhida a doutrina oficial, o papel da mulher submissa foi reforçado por novas versões nos textos escolhidos.
Detalhe do quadro A Criação de Adão
 de Michelangelo, o anjo Miguel.
Os olho admiram a perfeição das mãos
A maça como símbolo da árvore do conhecimento ou o conhecimento do bem e do mal, bem didatizada, tem origem mais tardia.

                                                                                          Sinfonia de uma calúnia, difamação e injúria. Depois Lilith se transformou na serpente que entregou à Eva a maçã que gerou a expulsão do paraíso. Segundo outra versão, este fato pode ser verdadeiro, só que Lilith não se conformava com a separação, que Adão não a entendesse e, por isso, como forma de vingança entregou a maçã para a concorrente. Em outras narrativas Lilith aparece como uma das cinco amantes do demônio. Também pesam sobre Eva acusações, algumas correntes teológicas, dizem que Eva foi seduzida por Lúcifer e que deste relacionamento nasceu Caim. Uma versão aceitável seria que Lilith tivesse apaixonada por Samael, anjo que significa a ira ou veneno de Deus, teria dado a ela o conhecimento do prazer e por isso ela abandonou Adão o que foi de encontro as leis de Deus que não permitia relações sexuais entre suas criaturas. Outras versões dizem que Deus castrou o anjo Samael como forma de punição eterna. E a maçã, o conhecimento, o prazer sexual, foi apenas, uma vingança de Lilith contra Eva. Pelo raciocínio oficial Eva teria sido a primeira pessoa a experimentar o prazer.

                                                                    Epilogando. Lilth é muito conhecida nos estudos ocultos, se transformou na rainda das bruxas, ora temida, ora admirada, cultuada por muitos que entendem a sua natureza. A Pomba Gira dos O homem contemporâneo está mais preparado para entender Lilith do que os de alguns séculos atrás. E Lilith já foi entendida e cultuada na antiguidade. Outros vem no mito a mudança do matriarcado para o patriarcado e os textos religiosos foram mudando de acordo com as conveniências do poder e do dsinheiro.  A deusa Isthar da babilônia pode ser uma antecessora deste anjo rebelde. Todos os mitos criacionistra tem algo em comum, a queda com promessas ou esperanças de elevação. Reparem que o mito grego criacionista de Pandora e Epimeteu é bem parecido com o católico e com milhares de outros. Sempre a queda, o pecado, a proibiçãso e as promessas de elevação. Não é plausível, hoje, as religiões discriminarem tanto a mulher e, elas como se tolas fossem, serem as maiores defensoras desta descriminação absurda e infantil. Somos iguais, o barro é o mesmo e essa lei está escancarada, é uma lei natural. O texto é uma homenagem a nossa Lilith.

...as verdades necessitam de atualização...


Isthar Deusa babilônica da fertilidade
e da lua

                                                                          Zé Perrengue.
Fiat Lux

terça-feira, 13 de setembro de 2011

As Moiras, a nossa vida eternamente por um fio

Cloto, Láquesis e Átrópos, As Moiras, ou a nossa vida eternamente
por um fio, quadro de John Melhuish Strudwick, 1849-1937


                                                                 Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando. Fernando Pessoa 1888-1935, uma tragada do blog na Tabacaria.

                                                                 A nossa vida por um fio. Uma verdade pungente, que dói, é a morte, a que, sem descanso, ronda e rondará a miséria de nossos corpos cheios de vermes. Diante de tanta verdade ou fragilidade é oportuno lembrarmos  que a nossa vida está sempre, moiramente, por um fio, ou, simplemente, tudo por um fio. Os gregos na sua saberdoria seminal, não deixaram por menos sobre a nossa vida por um fio, e, em suas narrativas criaram a Moira ou Aîsa, deusa encontradiça na obra homérica que representa o nosso destino ou fado. Mais tarde a Moira se transformou nas Moiras, a saber,  em três velhas respeitáveis ou, ainda, nas graves fiandeiras Cloto, Láquesis e Átropos. A palavra Moira origina-se do verbo grego meresthai o qual significa obter por sorte, partilha e, o substantivo Moira pode perfeitamente ser traduzido por destino, quinhão, sorte de cada um nessa vida ou a parte de cada um por sorteio. As Moiras eram filhas de Nix, a noite segundo Hesíodo, e em outra versão filhas de Zeus e  Têmis. Na antiguidade eram representadas por velhas Senhoras lúgubres, com enormes dentes e unhas grandes, mais modernamente podem aparecer em forma de lindas donzelas cuidando dos nossos destinos.
Nyx, a noite, filha de Caos,
 mãe das Moiras, quadro de
 William Adolphe Bouguereau
a nossa vida por um fio.
                   Símbolo impagável. A simbologia do mito das Moiras é a necessidade de lembrar ao orgulho do homem que a sua vida está sempre por um fio, que seu fio pode ser cortado a qualquer momento pela deusa Átropós. Daí a beleza do mito, a beleza da lembrança da humildade diante da morte que é sorteada a todo momento, um trabalho levado a cabo em linha de produção. Por isso, não brinque com a sorte, não abuse da sorte, não dance com as Moiras a dança macabra da morte, onde a sua vida está no embornal de apostas como coisa sem a menor importância. Homens prudentes são homens temerosos da morte. A maior bobagem do homem comum é não querer conversar sobre as Moiras ou sobre a morte, alías ter uma reprodução do quadro acima seria interessante. A filosofia das Moiras, então,  tem o seguinte princípio sagrado: a sua vida esta por um fio. Uma cópia do quadro de Nyx, a noite do véu negro, de William Adolphe Bouguereau seria um belo adorno caseiro também.

                     Morte esquecida como softwere do corpo. Todo dia é a mesma coisa, acordamos como imortais, esquecidos da morte, olvidamos que a nossa vida está sempre por um fio. A natureza é sábia, nos engana, faz nos agir como se não fóssemos morrer, dá um curto circuito na lembrança da humildade da morte e tocamos as nossas vidas com força, muitas vezes com ferro e fogo. A lembrança incessante da morte levaria ao caos  do hardwere, do corpo, e, da mente, e, a vida ficaria  insuportável. Por isso, precisamos esquecer urgentemente a morte. Fomos configurados para a vida assim, é o nosso softwere dentro do hardwere-corpo, temos que viver a todo vapor, lutar por tudo e contra todos. É a lei da vida que não quer e não pode ser humilde, é a luta incessante dos opostos em que o homem conta com o esquecimento constante. É difícil sentar na cadeira da humildade, o homem é de barro, mas de argila viva, que pula, chora e rola.

                                                                   As Moiras são parecidas na mitologia grega com as Queres, só que estas são mais sanguinárias, demoníacas e violentas. As Moiras foram transferidas para Roma na forma das Parcas ou Nona (Cloto), Décima (Láquesis) e Morta (Átropos)

                                                                   Quando estudamos as Moiras estamos dando uma passada na  Escatologia matéria que estuda o destino definitivo do homem, destarte, estudando as Moiras estamos na escatologia como destino inexorável do homem.

                                                                                o nosso software dentro do hardware-corpo
As Moiras cuidando
do nosso fio da vida
                As três fiandeiras graves, as três irmãs fatídicas são em detalhes:
.

                Cloto. Origina-se do verbo Klothéin que significa  ou  melhor Cloto fia a nossa vida, o nosso destino, esta fiandeira pode fiar um longo fio dando-nos vida longa, bem como, um pequeno fio, ninguém sabe, ninguém pode prever o futuro; é a deusa dos nascimentos e partos. Cloth em inglês é roupa e tem origem nesta deusa.

                                                    
                                                                       Láquesis. Se a nossa vida é um tênue fio fiado por Cloto, alguém tem que sortear os fios que serão cortados e esta incumbência cabe a Láquesis, nome que vem do verbo grego Lankhanéin ou sortear. Assim há um sorteio macabro e horripilante de vidas para serem ceifadas, assim, a nossa vida está ligada a sorte, não podemos fazer nada quando a nossa sorte é ruim. As Moiras são netas do deus seminal Kaos. De Kaos veio tudo, segundo Hesíodo em sua obra Teogonia. Caríssimos, é necessário conhecermos a família das Moiras, já dissemos que elas são filhas de Nix, irmã de Érebo e depois sua esposa. Nix é também irmã de Eros, o amor primitivo, Tártaro, as trevas e Gaia, a Mãe Terra. Foi Nix quem deu a sua irmã Gaia o instrumento que ela usou para castrar o seu marido Urano. Os elementos Moiras, noite, morte, escuridão, trevas, amor e terra germinando estão ligados uns aos outros e a lógica é plausível.

                                                                       Henry Ford e a linha de produção da morte. As três irmãs simbolizam o verdadeiro e único trabalho em equipe do além, em linha de produção da morte. Essas Senhoras feiosas que parecem sorrir, uma fia a vida tão só, a outra faz o sorteio e a terceira, o corte do fio, trabalho de tamanha responsabilidade que cabe a Átropos. Estas senhoras estão lidando com assunto grave, não pode haver erros, a responsabilidade é grande, daí a especialização do trabalho. O trabalho tem de ser em equipe, especializado, em linha de produção, afinal, se trata da vida humana e a incumbência é grande, não pode haver engano ou distração, por conseguinte, são as graves fiandeiras.
                                      

                                                                        Átropos ou a que não volta atrás.   Átropos vem do verbo trepéin que quer dizer voltar e esta palavra acrescida do prefixo grego A, que significa não, temos na junção, a que não volta atrás. Em resumo, uma fia, a outra sorteia e a terceira corta o fio, sem nenhuma possibilidade de  volta, de mudança de idéia. Caríssimos, cocem a cabeça levemente, pensem, a que não volta atrás é simbólico, metafórico e metafísico, a saber, significa que a nossa vida é única, não há volta, não há devolução de vida. Vida não é objeto, não tem balcão, reclamação ou Procon do além. Colocamos o primeiro princípio das Moiras ou a sua vida está por um fio, o segundo princípio das graves Senhoras é que contra a morte não há remédio, ou princípio da irreversibilidade do que foi cortado.

                                                     
                                                                          Roda da Fortuna. A roda é o instrumento onde se tecem os fios e as Moiras trabalham, em equipe, com a Roda da Fortuna, o seu instrumento de trabalho, como se estivessem em uma linha de produção de Henry Ford. Na roda,  os nossos fios rodam pela roda, uma hora o nosso fio, está por cima e em outra hora o fio de nossa vida está por baixo. Isto explica as fases da vida, a boa e a má fase com a vida maios ou menos se intrometendo em cada uma delas ou o que está mais ou menos pode piorar ou melhorar.
Henry Ford 1863-1947, criador
 da moderna linha de produção,
posterior a das fiandeiras graves

                                                                           Reflexão final. Conhecendo As Moiras, meditamos sobre o fio de nossa vida que pode estar por um fio, pode ser longo ou estar na iminência de ser cortado por Átropos, assim, aqueles que levam tudo a ferro e fogo, como se fossem viver eternamente, podem estar em erro, em erro de humildade, em erro sobre a fragilidade do fio da vida. A metáfora do fio, veio a propósito, certamente, um fio arrebenta a qualquer momento como a fragilidade da vida pode se arrebentar na intuição do instante. O certo é levar e não levar a vida tão a sério, o métron, a boa medida, cabe a cada um, às deveras, cada um é cada um.



    
Representação da Roda da Fortuna na Idade Média


                                                             Zé Perrengue, um longo fio de vida a todos tecido por Cloto, a Moira fiante.













































quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Fernando Pessoa, um tuga com certeza, em homenagem à geração à rasca




Fernando Pessoa nasceu
em13-6-1888 em Lisboa
e morreu na mesma cidade
em 30-11-1935. Tenho apertado
 ao peito hipotético mais humanidades
 que Cristo.


...o Esteves sem metafísica...
                                                                     
                                                                 I know not what tomorrou will bring ou Eu não sei o que o amanhã reserva, últimas palavras desta Pessoa antes de falecer em 1935.

                                                           Geração à rasca. A expressão geração à rasca significa uma geração em dificuldades, em apuros ou melhor dizendo uma geração sem nenhum futuro. Ver-se à rasca é o mesmo que achar-se em dificuldades. O verbo rascar tem como sinônimos lascar, arranhar, gritar, arrastar e outros significados.

Bandeira de Portugal. Falhei em tudo.
                                                          

                                                     Portugal, um balde despejado, vive a mãe das crises, uma crise maior em que o país afunda em uma dúvida, em uma dívida mirabolante em Euros, convive com desemprego em forma de pesadelo, acima de10% e, baixo, ou nenhum crescimento do produto interno bruto. Morro a baixo foi parar na pocilga, no chiqueiro, agora, faz parte dos Pigs ( Porcos em inglês e as primeiras letras, com exceção do último, de Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha, todos países em dificuldades econômicas). Em razão disso explodiu na data de 12 março de 2011 um movimento denominado Geràção À Rasca em que jovens, cheios de metafísica, principalmente, estudantes, protestaram contra os apuros do país. Estes gajos tomaram as ruas sem medo,  abrindo os peitos hipotéticos, sonhando mais que Napoleão fez e pararam o país. O Fogaréu atento ao mundo, em homenagem à esta geração, composta de verdadeiros escravos cardíacos das estrelas, transcreve aqui o poema Tabacaria de Fernando Pessoa, 1888-1935, um tuga com certeza da língua portuguesa, em homenagem à esta geração. O poema, um dos mais belos da nossa língua, é apenas um alento, uma singela mercê, à esta geração perplexa que teve a inteligência de se organizar virtualmente em redes sociais. Os poderosos tremeram, a imprensa chapa branca procurou defeitos, espiolhou baldas nos jovens, não reconhecem que Portugal é um balde despejado, sugado pela corrupção, assombrado por dívidas e juros carnívoros e, como desgraça pouca é bobagem, está engessado por um modelo econômico que tem a forma de uma caravela quinhentista. Estes jovens tugas, pesadelos do euro, como por um instinto divino, sentem que não são nada, que nunca serão nada e que não podem querer ser nada diante da configuração do tudo que aturde. Toma lá, caríssimos, Tabacaria, como biotônico Fontoura para o espírito:
Nãosounada. Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
Tabacaria
Nãosounada.                                                                                              
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo das
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.                     
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,                                    
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Manifestação histórica em 12-3-2011.
Estou hoje vencido como se soubesse a
verdade
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.                         
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

Prédio onde nasceu Fernando Pessoa,
em Lisboa, Bairro do Chiado.
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas —
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas —,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma sem
Porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente                        
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates coma mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Manifestação da Geração À Rasca
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,

E fico em casa sem camisa.
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
   Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,                            
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê —
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

Bandeira de Portugal.
Como um cão tolerado pela gerência

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti,    e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,               Com o destino a conduzir a carroça de tudo...
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como
Tabuletas
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Caravela, modelo econômico português. Morrerá
depois o planeta girante em que tudo isto se deu
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma conseqüência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

        Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa.                             
Também como um cão tolerado pela gerência

                                                                                          Zé Perrengue, um cão tolerado pela gerência, solidário com à geração à rasca




                                                                                                                                                                                                                           

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Decifra-me ou devoro-te!


Esfinge, filha de Ortro e Équidna
                                                  


                                                       Na mitologia grega a imaginação flutua no consciente e no inconsciente, daí a abundância de narrativas envolvendo saborosos monstros. São criaturas atormentadas, outros injustiçados, estes tem como único erro o fato de terem nascidos. As narrativas sobre eles são verdadeiros mistérios, enigmas, a serem desvendados sob pena de se assim não fizermos, sermos devorados. O erro neste estudo mítico dos monstros é o olhar superficial, como se os gregos e suas religiões fossem simples pagões ou ateus desprezíveis sem maiores conteúdos. Neste artigo vamos tentar desvendar a Esfinge, monstro com uma verdadeira tragédia de vida, como monstro indecifrável e decifrável. Na soleira da porta, assinalamos que a  Esfinge, conhecida como A Cantora Cruel, tem uma ascendência complicada, é filha da Senhora Équidna e Ortro, até aí tudo bem, um pai e uma mãe, só que Ortro é filho de Équidna e de Tífon.




Ortro, filho de Équidna e pai da Esfinge


                                                       Incesto entre monstros. Assim, caríssimos, temos um incesto entre mãe e filho, entre Équidna e Ortro e a Esfinge como produto acabado, como o enigma, algo que não foi decifrado, algo que não foi interditado, um escandaloso incesto entre monstros. O incesto, a proibição entre mãe e filho, se revela em um ser monstruoso que tem o rosto e seios de mulher, mas corpo, patas e rabos de leão. A tudo isso foi adicionado as asas, as asas da imaginação. Esfinge ou Sphinks em grego se origina do verbo sphíngueia que significa entre outras coisas sufocar, apertar ou comprimir. O nosso monstro sufocante é irma das Serias, aquelas das vozes doces que em seus cantos atraíam os marujos para o mar momento em que eram devorados. Ulisses em latim ou Odisseu em grego, o herói da Odisséia, venceu elas quando se deixou amarrar no mastro da embarcação, sem colocar tampões nos ouvidos.


                                                       Não confunda este monstro com a Esfinge egípcia que sempre aparece nas nossas lembranças, muito comum em fotos e filmes.


                                                      Esta imaginação monstruosa representa a interdição do incesto, a base da civilização, pois faz uma ligação clara entre monstros e incestos? Se parentes consaguineos se unem, as consequências genéticas podem ser terríveis, com aleijões e portadores de doenças mentais daí o interesse social em que a descendência seja saudável e garanta o futuro genético da espécie humana.


Équidna, mãe de Ortro e da Esfinge
                                                       Os pais da Esfinge. Équidna, mãe da Esfinge, da cabeça até a cintura era uma bela mulher de olhos cintilantes e da cintura para baixo uma serpente. Este monstro é a mistura fantástica entre mulher e serpente que se une ao filho cão Ortro e dá origem a Esfinge, ao enigma, a interdição do incesto, aos pensamentos proibidos do inconsciente. O incesto é a libido insaciável, desregrada, a própria Équidna, ou porque não a própria Esfinge produto descartável do inconsciente, o enigma do incesto.  Hera, esposa de Zeus, a protetora dos casamentos legítimos, como uma espécie de punição, enviou a nossa Esfinge para a entrada da cidade de Tebas para que devorasse os passantes caso eles não desvendassem um enigma proposto por ela.

Tífon esposo de Équida e pai de Ortro

                                                        O enigma da Esfinge. A Esfinge vivia na entrada da cidade de Tebas na Grécia aterrorizando os passantes  quando impunha o seguinte enigma de forma cantada, por isso é conhecida como A Cruel Cantora:


                                                      O QUE É QUE É, QUE DE MANHÃ TEM QUATRO PERNAS, AO MEIO DIA DUAS E AOS ENTARDECER TRÊS.



                                                      Édipo. Caso, o arguido, o indagado não respondesse corretamente, sem maiores delongas, era devorado pela Cantora Cruel. Édipo, Edipodos em grego que significa o dos pés furados ou inchados em grego, filho de Laio e Jocasta ou Epicasta, fato desconhecido por ele, já que fora abandonado no Monte Citerão e criado pelos reis de Corinto Pólibo e Peribéia ou Mérope conforme Sófocles,  se dirigia todo atormentado para Tebas vindo do Templo de Delfos. 



                                                       Vejam só o precipício dos fatos, o oráculo de Delfos tinha respondido para Édipo que ele mataria o pai e se casaria com a mãe, assustado evita Corinto, onde vivia com os seus pais de criação, fato desconhecido por ele. Sem dúvida nenhuma, Édipo não é um monstro mas faz papel de um, envolvido pelos segredos do destino. 


                                                       A volta do nosso demônio ou Édipo encontra Laio. Desta vez, caríssimos, o nosso demônio, o que tudo observa em uma moita, aquele que ficou decepcionadíssimo com o insucesso do devoramento no Dilema do Crocodilo em letras góticas, estava bastante otimista com o desenrolar destes acontecimentos, com a novela dos Lambdácidas, origem familiar de Édipo. Apostava todas as suas fichas no desentendimento entre pai e filho e resolveu acompanhar o evento traçado pelos deuses gregos, apenas, para deleites.  Vamos ao ocorrido enquanto o diabo pisca um olho.Uma resposta logo apareceu para Édipo, no caminho para Tebas, encontra nada mais nada menos com o seu pai verdadeiro, com Laio, Rei de Tebas, o qual ia para Delfos consultar o oráculo dali  sobre como se livrar da Esfinge que dizimava a população de Tebas, justamente, de onde Édipo vinha. Os dois se desentendem na estrada, por bobagens, ou um não dando caminho para o outro. Édipo, enfurecido nas desavenças, mata Laio. Desta vez o demônio viu que a vitória estava garantida ou que o incesto estava garantido e em êxtase, saiu correndo pela estrada rindo da largura de uma enxada, dando pulinhos e pulões, a jogar pelos ares todas suas bolinhas de enxofre que trazia em seu embornal enfeitado por cruzinhas negras, deixando Édipo preso ao seu negro destino. Para que tudo desse certo inoculou na mente de Édipo uma palavra enigmática que ficou ali quentinha saltando de neurônio em neurônio dando uma força aos deuses gregos.

                                                          Édipo encontra a Esfinge. Empós o parricídio, Édipo mais na frente, na entrada de Tebas, precisamente no Monte Fíquion, depara com a devorante Esfinge. Essa pergunta foi feita pela Esfinge a Édipo que ao dizer que a resposta correta era o homem fez com que a Esfinge pulasse no despenhadeiro e morresse, que fosse devorada por si mesma. A população de Tebas em êxtase, agradecida, livre do incesto materializado, livre da Cruel Cantora, fica agradecida, nomeia Édipo rei, com o consequente desposamento de Jocasta, a sua mãe, costume e tradição na época ou a rainha era ligada ao trono e não ao marido. Édipo e Jocasta se unem e dão à luz a outros enigmas, aos filhos Etéocles, Ismênia, Antígona e Polinice. Aliás, Antígona de Sófocles é uma bela peça teatral, imperdível, texto que apresentarei em breve. Tudo isso é uma tragédia, a maior tragédia de todas, o filho que mata o pai, a mãe que casa com o filho. A tragédia é maior pela inocência de todos, o pai não sabia que era morto pelo filho, a mãe que o filho matara o pai, Édipo que não sabia que desposava a mãe.


                                                       Édipo e a Esfinge, a Esfinge e Édipo, dois monstros atormentados, em comum o incesto, a proibição mãe e filho. Tomem tento, prestem a atenção, Édipo não decifrou o enigma, aparentemente, decifrado, pois cometeu incesto com Jocasta. O homem, o homem civilizado decifrou o enigma,como regra geral, não comete incestos, narra estórias monstruosas desestimulando o proibido. Reconhecemos que Édipo não tinha como decifrar o incesto, o enigma, às vezes é impossível decifrá-lo, está além das forças do homem do homem comum.

                                                       Freud, Sófocles e The Doors. Desta tragédia Sigmund Freud extraiu O Complexo de Édípo ou a atração entre mãe e filho, consciente ou inconsciente; Sófocles, um dos maiores dramaturgos da Grécia antiga ao lado de Eurípedes e Ésquilo, -497 ou -496 a.C.-406 ou -405 a.C., escreveu um dos maiores clássicos da literastura mundial ou Édipo Rei, um livro apaixonante, que devemos ter sempre à disposição, em cima do criado no quarto além de Édipo em Colono e Antígona, também de Sófocles;  o conjunto The Doors fez uma música famosa chamada The end, o fim, o fim da picada, o incesto, em homenagem a esta tragédia edipiana.

                                                        O enigma continua. O homem é o maior dos enigmas, não há respostas satisfatórias. Na verdade o enigma dos enigmas a ser desvendado é o homem, puro barro enigmático, o homem tentando desvendar a si mesmo, tentando conhecer a si mesmo, caso não seja bem sucedido, será devorado por um monstro, por uma Cantora Cruel ou por si mesmo. O enigma, A Esfinge são problemas, obstáculos, a serem superados pelo homem que se pretende ser civilizado. O incesto proibido, o caos, a falta de regras, o homem sem limites é apenas parte do enigma desvendado. Tudo levando a destruição, ao devoramento, no apocalipse das contas, Jocasta suicida-se, Édipo rasga os olhos com um grampo, com os olhos malferidos vaga pela Grécia, em busca de respostas, a sua filha Antígona conduz-o pelo braço. O maior dos enigmas, ou seja, o próprio homem, o que pensa depois, o vaso de tampa larga portador de todos os males, continua sob as nuvens pálidas do grande mistério. Na solução dos enigmas, não se esqueçam, sempre poderemos contar com Édipo, com a Cantora Cruel, Équidna, Tífon, Ortro, Laio e Jocasta, todos seres atormentados, monstros do inconsciente e do consciente, monstros necessários. O enigma foi lançado, não há volta, não há recusa, nem devolução no balcão da vida: decifra-me, ou devoro-te. Por favor leiam Édipo Rei, Édipo em Colono e Antígona, todas obras de Sófocles, livros básicos deste texto e comece a desvendar enigmas.
Édipo e a Esfinge, pintura de Gustave Moreau